Olhos Limitados, Exibição Sem Limites


Antigamente, no século passado, existia uma política de mercado chamada de “Janela de Exibição”. Um filme primeiro era exibido nas salas de cinema… meses depois, era comercializado como vídeo no mercado doméstico…  mais adiante passava na TV à Cabo e por fim, uns dois anos depois, era lançado para o povo na TV Aberta. Hoje, não apenas o conceito temporal de “janelas” está superado, mas o próprio acesso ao material audiovisual mudou.

Cada vez mais, além de estar superada no espaço e no tempo, a distribuição tradicional de produtos cinematográficos está sofrendo com o transbordamento de novos e constantes lançamentos – ameaçando fechar os nossos olhos pelo excesso de “vídeos” simultâneos. O barateamento do custo das produções audiovisuais, inclusive com o uso de efeitos complexos de pós-produção, equalizou o produtor profissional com o amador na qualidade tecnológica do produto final. Câmeras de bater fotos já filmam, escolas de teatro e cursos de produção audiovisual abundam. Não há ser humano que não tenha um celular e que não saiba produzir alguma imagem. Como ver tudo isso? Como acompanhar o que está acontecendo? Como separar o melhor do pior? Por quê?

Dezenas de festivais de cinema, diariamente, no Brasil e no Mundo, exibem por vezes até centenas de filmes, longas e curtas – ao ponto de precisarmos de um site como o Kinoforum para nos servir “guia” anual de festivais internacionais. E agora os festivais também já estão online, como o Tribeca Online Film Festival. Mas o conceito de “festival” também já está perdendo o sentido com a criação de channels em sites como o Youtube e Vimeo.

Por conta disso, agora eu e você já podemos ter os nossos “festivais” com os nossos próprios filmes. A pequena produtora americana Maker Studios já tem 125 canais no Youtube, com 21 milhões de inscritos e 300 milhões de visitas por mês, produzindo de tudo, de sketches cômicos e tutoriais até séries que estão sendo preparadas para a futura Google TV. Nem Rubens Edwald Filho, que clama assistir dois filmes ao mesmo tempo, conseguiria absorver esta oferta de audiovisual para separar o que é relevante do que não é. O que resta para nós, pobres mortais de dois olhos? Estaremos fadados a listas e cânones, como aconteceu com a literatura e a música? A experiência do cinema, como a vida, ficou seletiva. Não podemos mais (vi) ver tudo.

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Nos acompanha.

    

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